Tem muita gente desconfiada -- eu inclusive -- de que o jornalista Ricardo Noblat frequentemente omite matérias que possam ferir os interesses de Daniel Dantas e Gilmar Mendes, ao mesmo tempo em que repercute matérias contra a Satigraha e Protógenes Queiroz.
Acho que esta desconfiança tornou-se grande o suficiente para motivar um post, do próprio Noblat, em que ele procura justificar seu posicionamento com relação a cobertura da Satiagraha.
O post começa assim:
"De que lado você está?
Do lado do delegado Protógenes Queiroz, da Polícia Federal, ex-coordenador da Operação Satiagraha?
Ou do lado do banqueiro Daniel Dantas (foto acima), dono do grupo Opportunity, duas vezes detido por Protógenes e duas vezes libertado por habeas corpus concedidos pelo ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal?
Se hesitar em responder que está do lado do delegado é porque você é defensor enrustido do banqueiro condenado em primeira instância por tentativa de suborno, e suspeito de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Se insinuar que o delegado, movido pelas melhores intenções, talvez, contudo, porém, entretanto, tenha exorbitado dos seus poderes é porque você é um “dantista” descarado.
É nesses termos que se trava caloroso debate em blogs, comunidades da internet e em fóruns universitários país a fora." (Fonte:Blog do Noblar)
Ou seja: Noblat está tentando justificar a falta de equilíbrio de seu blog -- que repercute todas as denúncias vazias contra a Satiagraha, e silencia quando as matérias são a favor -- dizendo que não precisa assumir um lado.
Mas Noblat já assumiu um lado. Só falta admitir.
"Quem está do lado do delegado faz sua defesa apaixonada e incondicional. Quem enxerga falhas no trabalho dele argumenta com cautelosa timidez. Quem está do lado de Dantas...
Bem, se alguém está do lado de Dantas silencia. Resiste até mesmo sob tortura a abrir a boca a favor dele."
Mas não é necessário "abrir a boca a favor" de Dantas para beneficiá-lo. Basta atacar seus inimigos. Basta atacar a Satiagraha. Basta transformar investigadores em investigados. Basta transformar juízes de primeira instância em julgados.
A VEJA tem feito isso incessantemente. E Noblat repercute essas matérias. A cada semana, um novo factóide:
"A Abin grampeou Gilmar Mendes". Cadê o grampo?
"A Satiagraha realizou grampos ilegais". Onde estão eles?
"A Polícia Federal contou com a participação da Abin". Isso é permitido por lei.
Onde estão os desmentidos?
Noblat não dá destaque aos desmentidos, e continua a sugerir que Protógenes teria cometido ilegalidades no decorrer da Satiagraha:
"Só não dá é para admitir que o ilegal possa estar a serviço do combate à ilegalidade. Que crimes de grosso calibre sejam capazes de absolver os menores."
Afinal, quais foram as ilegalidades cometidas por Protógenes? Quais foram os crimes menores? Noblat não diz.
Depois Noblat apela para o ridículo:
"Tolerância zero com quem transgrida a lei!
Não é isso o que se cobra todo dia neste país abençoado por Deus, bonito por natureza e promovido à condição vergonhosa de paraíso da impunidade?
Assaltar o Banco do Brasil não pode. Atravessar o sinal vermelho pode?"
Este é o desejo do corrupto: jogar lama para todos os lados. Se ninguém está limpo, ninguém deve ser condenado.
Ou seja: Noblat não defende Daniel Dantas explicitamente, mas critica as mesmas pessoas, e usa os mesmos argumentos de sua defesa.
Afinal... de que lado você está, Noblat?