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2012-04-16

A essência da manipulação jornalística

Ontem eu publiquei um resumo da reportagem da Veja. Mas não fiquei inteiramente satisfeito com o resultado.

Estou tentando extrair a essência do artigo, para deixar claro o tamanho do absurdo que a Veja escreveu.

Aqui vai uma versão mais concentrada da manipulação jornalística perpetrada pela Veja:

 

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Josef Stalin, o ditador soviético ídolo de muitos petistas, considerava as ideias mais perigosas do que as armas e, por isso, suprimiu-as, matando quem teimava em manifestá-las. Basta uma contrariedade maior para que o espírito de papai Stalin baixe e rasgue a fantasia democrática dos petistas parcialmente convertidos ao convívio civilizado.

 

Como formigas guiadas por feromônios, os militantes de todos os escalões, de ministros de estado aos mais deploráveis capangas pagos com dinheiro público na internet, vão, seguindo a cartilha stalinista, fazer valer as versões sobre os fatos.

 

Esse truque funcionou na União Soviética, funcionou na Alemanha nazista, funcionou na Itália fascista de Mussolini, por que não funcionaria no Brasil?

 

Bem, ao contrário dos laboratórios sociais totalitários tão admirados por petistas, o Brasil é uma democracia, tem uma imprensa livre e vigilante, um Congresso eleito pelo voto popular e um Judiciário que, apesar de fortemente criticado recentemente, tem demonstrado independência e vigor doutrinário.

 

Isso significa que para o delírio se materializar é preciso neutralizar as instâncias democráticas, calando-as ou garantindo que a estridência radical petista supere as vozes da razão e do bom-senso.

 

A CPI é o melhor instrumento que a falconaria petista poderia dispor -- pelo menos antes de conseguirem suprimir logo a imprensa livre, o Judiciário independente e o Parlamento, fósseis de um sistema burguês de dominação que está passando da hora de ser superado pelo lulopetismo.

 

Mas, enquanto o triunfo final não vem, os falcões petistas vão se contentar em usar a CPI para desmoralizar todos os personagens e forças que ousem se colocar no caminho da marcha arrasadora da história.

 

Lula e os falcões petistas querem emascular a imprensa independente no Brasil.

 

Surge agora uma oportunidade tão eficiente quanto a censura, com a vantagem de se obter a servidão acrítica da imprensa sem recorrer a nenhum mecanismo legal que possa vir a ser identificado com a supressão da liberdade de expressão.

 

Papai Stalin ficaria orgulhoso dos pupilos.

 

Motivo mesmo para uma CPI seria investigar os milionários repasses de dinheiro público que o governo e suas estatais fazem a notórios achacadores, chantagistas e manipuladores profissionais na internet. Fica a sugestão.

 

Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/eles-querem-apagar-o-mensalao

 

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Esta é a base. A partir daí, podemos retirar a essência:

 

"A CPI [do Cachoeira] é o melhor instrumento que a falconaria petista poderia dispor para suprimir a imprensa livre, o Judiciário independente e o Parlamento. Motivo mesmo para uma CPI seria investigar os achacadores, chantagistas e manipuladores profissionais na internet. Fica a sugestão."

 

 

Aí está! A essência da manipulação em seu estado mais puro!

A Veja não apenas pretende acabar com a CPI do Cachoeira, sugerindo que ela é uma ameaça a liberdade de imprensa, como pede uma CPI contra os blogs, em um nítido ataque à liberdade de expressão.

2012-04-02

Civita e Murdoch: a Veja é o nosso News of the World

Na Inglaterra, um panfleto de Rupert Murdoch foi pego com grampos ilegais, obtidos através do relacionamento de seus jornalistas com policiais. Quando isso foi descoberto, seus leitores ficam escandalizados, anunciantes abandonaram a publicação, e o jornal foi fechado.

No Brasil, o panfleto de Roberto Civita obteve grampos ilegais através de seu relacionamento com uma organização criminosa, selecionou informações para atingir seus adversário, ocultou o que não era de seu interesse, transformou um dos membros da quadrilha em "herói da ética", ajudou a melar investigações... E tudo fica como está???

A Veja não apenas *usou*, mas *ajudou* a promover os interesses de uma rede criminosa.

A Veja *faz parte* de uma rede criminosa.

Exemplos:

A Veja deu as páginas amarelas para o Arruda falar de ética -- e declarou que ele havia "dado a volta por cima", lutava contra a corrupção, etc. O Arruda era, na época, um dos possíveis vices do Serra na chapa "vote em um careca e leve dois". Será que os repórteres investigativos da Veja não sabiam dos crimes do Arruda? Se sabiam porque nunca noticiaram?

A Veja deu as páginas amarelas para o Demóstenes bradar contra a corrupção, chegando a afirmar que ele era um dos "mosqueteiros da ética", um dos poucos que salvavam o congresso da corrupção. Eles não sabiam do seu esquema com Carlinhos Cachoeira? Se sabiam, porque não noticiaram?

A Veja deu capas e mais capas para atacar a Operação Satiagraha e melar as investigações contra Daniel Dantas. Uma das reportagens usou um grampo envolvendo ninguém menos que.... Demóstenes Torres.

Policarpo Jr. mantinha relações com Carlinhos Cachoeira. Mais de 200 telefonemas registrados em um ano. Ele sabia do esquema do bicheiro. Por que nunca denunciou? É normal uma revista manter uma relação tão longa com uma organização criminosa, exaltando um de seus membros no senado, etc?

***

Em 2010 a Veja dedicou inúmeras capas para denunciar Dilma como corrupta, mentirosa, e incompetente; Serra era vendido como um político sério e competente (apesar de todos os sinais em contrário, que eu fui mandando ao longo do ano -- exemplo: tempo de desencompatibilização, escolha do vice, campanha sórdida, etc). O que você chama de "liberdade de imprensa" foi, na realidade, uma campanha de assassinato de reputação -- que, felizmente, falhou.

Imagine se o Serra tivesse vencido as eleições de 2010, e a Dilma ficasse marcada como corrupta, mentirosa, e incompetente, pelo resto da vida?

***

Eu sempre disse que a Veja usava métodos criminosos; o que estamos vendo, agora, é que ela não apenas usava métodos criminosos, mas também estava diretamente envolvida num esquema criminoso.

2010-09-18

Liberdade de imprensa e governo: uma relação delicada

A mesma revista cujo blogueiro oficial chama o presidente da república de "apedeuta";

A mesma revista cujo principal colunista declarava querer derrubar o presidente, e chama o presidente da república de "anta";

A mesma revista que processou o jornalista Luis Nassif por tê-la denunciado em uma série de artigos;

Sim, estamos falando da Veja, que escreveu o que quis, sobre quem quis, durante os últimos 8 anos -- sem ser incomodada.

Agora eles nos vem com essa:

"Os oito anos do governo Lula foram alarmantes para a imprensa livre. O presidente em pessoa protagonizou tentativas de cerceamento da liberdade de opinião em seus dois mandatos... Mas Lula não esteve sozinho na busca desse objetivo. Governo, PT e sindicatos se revezaram na tarefa de emplacar alguma espécie de "controle social da mídia" – fórmula que, no fundo, expressa o desejo de relativizar ou simplesmente restringir a liberdade de imprensa, um dos pilares das sociedades democráticas." (Fonte: Veja)


Atualização (17/09):

E agora, a ironia, das ironias:

Clube Militar reúne Merval, Reinaldo Azevedo e Instituto Millenium para discutir a Democracia Ameaçada:

http://oleododiabo.blogspot.com/2010/09/golpe-em-marcha-clube-militar-reune.html

Atualização (18/09):

E não vamos nos esquecer das palavras do próprio Serra, em palestra para militares, no Clube da Aeronáutica no Rio há poucas semanas:

"– Em 64, uma grande motivação para a derrubada do Jango foi a república sindicalista. Lembra disso? Não tinha nada disso, isso não tinha a menor possibilidade. Eles (o PT) fizeram agora a verdadeira república sindicalista. Não é para fazer socialismo, estatismo, nada. É uma máquina poderosa, tem internet, tem isso, tem aquilo." (Fonte: O Globo)


Quer dizer, Serra diz para militares que não havia em 64 uma república sindicalista; mas que agora há.

Como escreveu Brizola Neto:

"E se, então, não se justificava o golpe, a ocupação militar do Estado civil, agora ela se justifica?

Serra só perde para Carlos Lacerda em falta de talento: ele era o corvo, agourento, mas um personagem em que, se faltava-lhe o caráter, sobrava-lhe o brilho. Serra é só o “coiso”, uma figura que nem sob a luz de mídia consegue deixar de ser medíocre."


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Carta Aberta ao Assinante da Veja
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Empate técnico entre Dilma e Serra

Das manchetes inacreditáveis, ou ainda: dos contorcionismos matemáticos -- leia até o final:

Mesmo com a vantagem significativa de 41% contra 34,9% a manchete do Diário Catarinense é: "Empate técnico entre Dilma e Serra".

"A disputa presidencial em Santa Catarina se manteve em empate técnico, mas com inversão de posição entre os candidatos Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) em relação à pesquisa anterior do Mapa. A petista aparece na frente, com 41% contra 34,9% do tucano segundo os números divulgados pelo Instituto Mapa. Marina Silva (PV) tem 10,9%. Os outros não atingiram 1%.

Na pesquisa anterior, divulgada em 21 de agosto, Serra ainda aparecia na frente no Estado – embora já fosse constatado o empate técnico. Na época, o tucano tinha 45,4%, contra 41,6% de Dilma. Marina tinha 8,9%. O Mapa também fez simulação de segundo turno entre os dois candidatos. O cenário pouco se altera: Dilma teria 45,5% contra 42,1% de Serra.

A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais para cima ou para baixo. Foram entrevistados 1.008 eleitores em todas as regiões do Estado." (Fonte: ClicRBS)



O detalhe ainda mais cômico é a margem de erro, de "3,1 pontos percentuais": este 0,1 ponto percentual é exatamente o erro que mantém o "empate técnico", pois a diferença entre Dilma e Serra já é de 6,1%.

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É o PIG torturando a matemática até que ela confesse. :D

2010-09-17

Dora Kramer também caiu no "conto do empresário"

"Chega-se ao ponto de uma testemunha dizer com todos os efes e erres que uma quadrilha de traficantes de influência funciona a partir da Casa Civil da Presidência da República e que a segunda pessoa na hierarquia, substituta da ministra hoje candidata a presidente do Brasil, intermediava contatos mediante o pagamento de R$ 40 mil mensais.

Foi essa quantia que o consultor Rubnei Quícoli disse ao jornal Folha de S. Paulo que o filho e o afilhado da ministra cobraram dele para "apressar" a liberação de recursos do BNDES."


Atenção especial para este trecho:

"Antes disso, a revista Veja já apresentara outro caso - menos contundente até - de venda de influência na Casa Civil, com a mesma família da mesma Erenice Guerra, até ontem ministra e, na época da transação denunciada agora, secretária executiva e braço direito de Dilma Rousseff." (Fonte: Estadão)


Como é que é???

"A revista Veja já apresentara outro caso - menos contundente até...". O que pode ser menos do que um factóide?

Este "conto do empresário" está começando a parecer a barriga do século -- seria hilário, se não expusesse uma tentativa de golpe.

O Globo também caiu no "conto do empresário"

Publicado pelo Noblat:

"A publicação, pela “Folha de S.Paulo” de ontem, de outra denúncia tornou Erenice Guerra fardo pesado demais para o governo e a campanha de Dilma Rousseff, a quem a ex-ministra é (ou foi) ligada.

Rubnei Quícoli, consultor da EDRB, de Campinas, relatou que a empresa, interessada em instalar uma central de energia solar no Nordeste, não conseguia que um pedido de empréstimo ao BNDES tramitasse. Diante da dificuldade, foi-lhe sugerida a rota da facilidade: Israel Guerra. Houve até reunião com a mãe. A empresa, relatou Quícoli, não aceitou a pedida de Israel, e o lobby se frustrou.

A denúncia, sustentada em provas documentais (e-mail, minuta de contrato com a firma de Israel), mostrou a Lula que não havia blindagem possível para conter o poder de corrosão do escândalo." (Fonte: O Globo)

Miriam Leitão também caiu no "conto do empresário"

Não foi só a Folha que acreditou no ex-presidiário, ex-falsário, ex-receptador de mercadoria roubada, ex-filiado do PSDB.

A Miriam Leitão também acreditou no chantagista:

"A manchete da Folha de ontem trouxe a arrasadora entrevista de um empresário que, munido de e-mails e cópias de contratos, diz que foi vítima de tentativa de extorsão ao pedir um empréstimo no BNDES. Além das taxas variadas e dos milhões que ele afirma ter sido pedido para a campanha da candidata do governo, chegou a ser pedido 5% num empréstimo de R$ 9 bilhões. Se ele fosse concedido, isso seria R$ 450 milhões...

O vínculo não é criado pela imprensa, não é ilação, são os fatos. Esse não é o caso apenas do filho de uma ex-assessora, como Dilma disse no seu último debate. Esse é um conjunto assustador de indícios de um comportamento totalmente condenável no trato da questão pública.

Não é importante quem ganha a eleição. É importante como se ganha a eleição." (Fonte: Miriam Leitão)


Diferentemente da Ministra Erenice Guerra, que pediu demissão devido ao bombardeio intenso da mídia, a Miriam Leitão continua firme e forte escrevendo bobagens.

Para jornalistas como Miriam, qualquer factóide contra o Governo é escândalo. Principalmente em época de eleições.

A casa caiu, Folha de São Paulo

Afinal de contas, o respeitável "empresário" da Folha, além de ex-presidiário, ex-falsário, ex-receptador de mercadorias roubadas, e ex-filiado ao PSDB, era um tremendo chantagista!!!

"BRASÍLIA - Com o contrato apresentado pela empresa Capital em mãos, o empresário Rubnei Quícoli passou a ameaçar Vinícius de Oliveira Castro, então assessor de Erenice Guerra na Casa Civil, e seus parceiros de lobby para tentar viabilizar o empréstimo no BNDES. Embora só tenha denunciado o suposto tráfico de influência na reta final das eleições, numa sucessão de e-mails enviados ao ex-assessor e outros interlocutores, entre janeiro e fevereiro, o empresário deixa claro que o escândalo era um barril de pólvora prestes a se incendiar.

O GLOBO teve acesso nesta quinta-feira a uma série dessas mensagens repassadas por Quícoli. Em 2 de janeiro, dois meses após ser recebido na Casa Civil, sem uma resposta positiva, Quícoli avisa a Vinícius e aos donos da empresa que tinha encontro marcado com jornalistas e "Serra" (ele não deixa claro se está se referindo ao tucano José Serra). Informa que adiou a reunião "para ver a postura que a Casa Civil irá tomar".

Numa das mensagens para Ourofino, em 28 de janeiro, ele afirma: "Derrubo o Coutinho e muita gente ao redor dessa Casa Civil e BNDES". E completa: "Cabeças irão rolar... isso eu GARANTIUUUU (sic)." A ameaça seria concretizada caso Vinícius e M.A. (iniciais de Marco Antonio, então diretor dos Correios) não dessem demonstrações claras de seu engajamento no projeto de energia. No mesmo texto, ele adverte: "Não tenho nada a perder... boca para falar, eu tenho, e muito (sic) saliva"" (Fonte: O Globo)


E o PIG caiu no "conto do empresário"!!

Mentiras da Folha começam a cair aos pedaços

1) O CONSULTOR

De acordo com a Folha, o ex-falsário, ex-receptador de mercadoria roubada, ex-presidiário, Sr.Rubnei Quícoli, era consultor da EDBR.

De acordo com a EDBR, porém, a atuação do Sr.Rubnei Quícoli era "autônoma, vinculada ao êxito do projeto, cabendo a si, tão somente a si, a responsabilidade pelas informações prestadas ao jornal Folha de São Paulo. Quem responde pela empresa EDRB do Brasil Ltda são somente os srs. Marcelo Escarlassara e Aldo Wagner".

Ou seja: o sujeito que se apresentava como consultor da EDBR, não era consultor da empresa.

2) O EMPRÉSTIMO

De acordo com a Folha, o ex-falsário, ex-receptador de mercadoria roubada, ex-presidiário, Sr.Rubnei Quícoli, tratava diretamente com o filho da Ministra Berenice Guerra para liberar um empréstimo de R$ 9 bilhões.

De acordo com o BNDES, "o projeto da EDRB foi encaminhado ao BNDES por meio de carta-consulta, solicitando R$ 2,25 bilhões (e não R$ 9 bilhões como afirma a reportagem) para a construção de um parque de energia solar. O BNDES considerou que o montante solicitado era incompatível com o porte da referida empresa. Além disso, a companhia não apresentou garantias e não havia local definido para a instalação do empreendimento (essencial para o licenciamento ambiental), não atendendo, portanto, a pré-requisitos básicos para a concessão do crédito."

Ou seja: os R$ 9 bilhões (que eram na verdade R$ 2,25 bilhões) e nem sequer foram considerados pelo BNDES.

3) O FILHO DA MINISTRA

De acordo com a Folha, O Sr. Rubnei Quícoli encontrou-se com Israel Guerra: "O encontro foi no escritório do Brasília Shopping. O Israel nunca pediu nada porque eu não dei chance. Eu não sabia que ele era filho da Erenice."

De acordo com o Globo, no dia seguinte, "Apesar de negociar com a Capital, Quícoli afirmou que nunca encontrou-se com os irmãos Saulo e Israel Guerra, filhos de Erenice."

Ou seja: o ex-presidiário nunca se encontrou com o filho de Erenice; ele tratava diretamente com a Ministra da Casa Civil.

4) A REAÇÃO

Homem de bem, o ex-falsário, ex-receptador de mercadoria roubada, ex-presidiário, Sr. Rubnei Quícoli, se disse "horrorizado" (grifo da Folha) pelo pedido de propina.

Dá para acreditar?

5) O PASSADO

E, para completar -- a cereja no topo do bolo -- o ex-falsário, ex-receptador de mercadoria roubada, ex-presidiário, Sr. Rubnei Quícoli, já foi filiado ao PSDB.

Quanto vale a palavra desse homem? Para a mídia, vale muito.

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Fontes:

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/folha-escancarou-ficha-falsa-de-dilma-mas-escondeu-a-do-consultor.html
http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/donos-da-edbr-negam-relacao-com-denuncia-da-folha.html
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/empresario-fonte-da-folha-acabou-de-sair-da-cadeia
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-armacao-do-consultor-da-folha
http://oglobo.globo.com/pais/eleicoes2010/mat/2010/09/16/empresario-confirma-que-propina-era-para-campanha-de-dilma-helio-costa-917653158.asp

2010-09-16

Carta aberta ao assinante de Veja

Recordar é viver.

Veja o que primor de jornalismo você leu em agosto do ano passado:

"'Lula não fará seu sucessor', diz o dono do IBOPE"
(Fonte: a indispensável Veja)


Olhando em retrospecto, você, assinante de Veja, não se sente feliz de ter sido tão bem informado?

Mas não foi só isso: você também ficou sabendo que a crise de 2008 seria um tsunami para o Brasil; que o Tio Sam iria salvar a economia mundial; leu a transcrição do grampo sem áudio de Gilmar Mendes; acompanhou uma defesa intransigente do banqueiro condenado Daniel Dantas; e testemunhou uma campanha sistemática para acabar com a investigação.

Não faz bem pensar que você paga R$ 750 por ano -- ou 3 mil reais, ao longo dos últimos 4 anos -- para ler análises isentas (e proféticas) como estas?

Bom, pelo menos você pode ter a paz de espírito de saber que ajudou a cobrir os custos do processo da Editora Abril contra o jornalista Luis Nassif. Sim, por que a revista defensora da liberdade de expressão, processou o Nassif por ele ter escrito O Caso Veja -- leitura obrigatória para entender o que se passa com a imprensa do país.

O processo foi negado, e a revista se viu obrigada a pagar a vultuosa quantia de -- vejam só -- 3 mil reais.

Ou seja: graças a sua assinatura, a Editora Abril não passará necessidade!

Você não se sente orgulhoso?

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Carta Aberta ao Assinante da Veja
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Dirceu vê mídia com 'excesso de liberdade'

...pelo menos é assim que o PIG dá a notícia:

"Em palestra para sindicalistas, ex-ministro ataca a imprensa e o direito de expressão

Em palestra para sindicalistas do setor petroleiro da Bahia, na noite de anteontem, em Salvador, o ex-ministro da Casa Civil e ex-deputado pelo PT José Dirceu criticou o que chamou de "excesso de liberdade" da imprensa. "O problema do Brasil é o monopólio das grandes mídias, o excesso de liberdade e do direito de expressão e da imprensa."" (Fonte: Estadão)


QUE ABSURDO!!!

MAIS UM ATAQUE A LIBERDADE DE EXPRESSÃO!!!

A DEMOCRACIA ESTÁ EM RISCO!!!

Mas...

Sem querer defender o Dirceu...

Vamos ver o que ele realmente disse na tal palestra? Lá vai:

"Nós somos um partido e uma candidatura que coloca em risco o que eles tão batendo, todos articulistas da Globo escrevem e falam na TV, todos os analistas deles: a noção das garantias individuais e da constituição, que nós queremos censurar a imprensa, que o problema no Brasil é a liberdade de imprensa?

Gente do céu. Como alguém pode afirmar do Brasil é... não existe excesso de liberdade. Pra quem já viveu em ditadura...

Dizem que nós queremos censurar a imprensa. Diz que o problema é a liberdade de imprensa.

O problema do Brasil é excesso, bom, é que não existe excesso de liberdade, mas o abuso do poder de informar, o monopólio e a negação do direito de resposta e do direito da imagem. Que está na Constituição igualzinho a liberdade, a Constituição não colocou o direito de resposta e de imagem, a honra, abaixo ou acima da proibição da censura e da censura prévia, corretamente, ou do direito de informação e da liberdade de imprensa, de expressão. São todas cláusulas pétreas." (Fonte: Noblat)


Como é que é???

O que o Estadão fez, com o discurso do Dirceu, é exatamente aquilo que o Dirceu estava criticando: a imprensa abusa de seu poder, distorcendo a realidade.

E os pobre leitores, que vivem nessa bolha midiática, ficam sob a impressão de que estão prestes a entrar numa ditadura, que a liberdade de imprensa está ameaçada... quando, na verdade, nunca houve tanta liberdade de expressão como agora.

A velha mídia está acuada, sim, mas por uma outra razão: porque já não tem o mesmo poder para propagar sua versão dos fatos; as mentiras são desmontadas rapidamente, como aconteceu agora.

Não estou defendendo o Dirceu, estou mostrando o jogo da mídia.

Abram os olhos!

2010-05-14

Autorregulamentação da imprensa resolve alguma coisa?

A imprensa tradicional rejeitou qualquer possibilidade de controle social da mídia. Mas agora que a credibilidade da imprensa está indo para o esgoto (basta ler alguns dos posts abaixo), a imprensa fala de "autorregulamentação". Mas será que isso resolve?

"Como se sabe, a autorregulamentação da imprensa – que agora é proposta pelos empresários brasileiros – é praticada nas democracias representativas há quase um século. Isso mesmo: quase um século! Os códigos de autorregulamentação existem, por exemplo, nos Estados Unidos, desde a década de 1920. Uma das recomendações do relatório final da famosa Hutchins Commission, em 1947, foi exatamente a autorregulamentação da mídia (cf. A Free and Responsible Press, The University of Chicago Press, 1947). (...)

E qual é o resultado dessa quase centenária experiência de autorregulamentação?

Na avaliação da professora Campbell, a "autorregulamentação raramente cumpre o que promete, embora em alguns casos, tenha sido bem sucedida como um suplemento à regulação do governo"." (Fonte: Observatório da Imprensa)


Eu vou um pouco mais além: qualquer um que tenha assistido ao "jornalismo" da Fox News (carinhosamente apelidada de "Faux News") nos EUA, sabe que a autorregulamentação falhou absolutamente.

Ou seja: como resposta à perda de credibilidade, a mídia passou a defender uma solução que não vai resolver nada.

2010-05-12

Abril demite editor que criticou Veja no twitter

"A National Geographic Brasil, da Editora Abril, demitiu no final desta terça-feira (11), o editor-assistente Felipe Milanez pelas críticas que fez no Twitter dele à revista Veja, da Abril, por causa da reportagem “A farra da antropologia oportunista”, que trata de delimitação de reservas indígenas e quilombos no país.

- A decisão me foi comunicada pelo redator-chefe Matthew Shirts. Ela veio lá de cima e ainda estou zonzo porque não imaginava que minha opinião fosse resultar nisso - disse Milanez.

Bastante conhecedor da Amazônia, especialmente das tribos indígenas, o repórter-fotográfico estava com viagem marcada para o Amazonas na quinta-feira (13). Ele iria percorrer durante 15 dias a BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Vellho (RO), acompanhando uma equipe da Embratel que dá suporte às torres de telefonia.

Ele usou o Twiter para avisar aos seus seguidores sobre a demissão:

- To destruido, muito chateado. Acabo de ser demitido por causa dessa infeliz conta de Twitter. Sonhos e projetos desmancharam no ar virtual

Milanez havia se manifestado no Twitter a respeito da nota do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, citado por Veja na reportagem, mas que nega ter dado entrevista para a revista.

- Eduardo Viveiros de Castro achou um bom adjetivo pra definir a matéria da Veja: “repugnante” - escreveu.

Milanez acrescentou mais adiante:

- Veja é abusada. Assim E. Viveiros de Castro corre o risco de nunca mais ser citado na revista(!), como JonLee Anderson.

Além de ter reproduzido tweets em que o antropólogo acusa Veja de “fabricar” declaração, Milanez também chegou a citar os microblogs dos repórteres Leonardo Coutinho, Igor Paulin e Júlia de Medeiros, autores da reportagem, como exemplos “anti-indígenas” para quem quisesse segui-los.

- Não sei ainda o que vou fazer da vida. Não estou arrependido porque nunca imaginei que minha opinião pudesse causar uma reação tão drástica. Talvez eu tenha sido ingênuo, mas quem defende índio tem que estar com a cabeça preparada para levar paulada - afirmou Milanez." (Fonte: Blog da Amazônia)


Não se arrependa, Felipe Milanez.

Essa é a "liberdade de expressão" que eles defendem: a liberdade de expressar a opinião do patrão.

Esta é uma condicão humilhante demais para um jornalista. Saia de cabeca erguida, pois você expressou a sua opinião, prerrogativa de um verdadeiro jornalista.

E aqui eu faco um apelo aos verdadeiros jornalistas da Editora Abril -- se é que ainda existem alguns que merecam essa honrosa qualificacão:

A maior história de suas vidas não está lá fora, mas dentro de sua própria empresa. Vocês fazem parte de uma das maiores máquinas de mentiras e a corrupcão. A mídia se tornou notícia, e vocês -- somente vocês -- estão vivendo essa história por dentro.

Sejam jornalistas! Investiguem o que acontece na sua própria empresa. Levem gravadores. Copiem dados sigilosos. Não esperem que seus chefes lhes digam o que investigar. Escrevam a sua própria história.

Sejam jornalistas!

A velha mídia e a defesa do seu cartório

"Para Abert e ANJ, participação de estrangeiros em portais fere a Constituição.

“A maior parte dos países do mundo tem esse tipo de preocupação em nome da soberania nacional e em nome da preservação da cultura nacional. Nenhum país deseja que a sua agenda política ou a sua agenda social seja controlada por estrangeiros”, disse o advogado Luis Roberto Barroso, professor de Direito Constitucional.

Para a ANJ e a Abert, a Constituição está sendo desrespeitada por empresas estrangeiras que veiculam, aqui, conteúdo jornalístico em jornais impressos e, principalmente, em portais de internet. Questionado, o Ministério das Comunicações disse que não cabe a ele fiscalizar a internet. Agora, a ANJ e a Abert recorreram ao Ministério Público." (Fonte: Blog do Nassif)


Isso não faz sentido.

A liberdade de imprensa significa que o país precisa de Jornalismo -- mas não significa que o país precisa dos jornais e revistas tradicionais.

Ninguém deve ter monopólio sobre o jornalismo.

2010-05-11

O esporro de Serra em Miriam Leitão

"Imagina, Míriam, o que é isso? Mas que bobagem. O que você está dizendo, você vai me perdoar, é uma grande bobagem" -- José Serra

Clique aqui para ouvir, ou leia a transcrição completa abaixo:

"MÍRIAM LEITÃO: A grande dúvida na economia é se o senhor vai respeitar a autonomia do Banco Central.

O senador Sérgio Guerra já disse que o senhor mudaria a política cambial e monetária, depois tentou se explicar, mas ficou essa dúvida no ar. A dúvida também é por declarações suas feitas no passado e por declarações feitas agora também. A sensação que se tem é que, se por acaso o senhor for eleito, vai ser também o presidente do BC. Queria saber isso.

JOSÉ SERRA: É brincadeira (dizer) que eu, eleito presidente da República, vou ser presidente do BC. É preciso não me conhecer. Quem faz um rumor assim é (por) falta de assunto, desejo de criar outros problemas.

MÍRIAM: O senhor respeitará a autonomia do BC?

JOSÉ SERRA: A questão dos juros, a questão do câmbio…

Ninguém, em sã consciência, pode defender a posição de que, quando há condições para baixar a taxa de juros, o BC não baixa, (e que isso) está certo. Isso não significa infalibilidade. A questão do tripé famoso que veio do governo passado que, se não me engano, fui eu até que apelidei de tripé (câmbio flutuante, responsabilidade fiscal e meta de inflação) veio para ficar.

Não baixar os juros num contexto em que não tinha inflação simplesmente foi um erro. As pessoas que conhecem melhor, mesmo dentro do mercado financeiro, sabem disso.

Agora, se alguém se assusta porque eu acho que a taxa de juros deve cair quando a inflação está caindo, quando tem quase deflação, é porque tem uma posição muito surpreendente do ponto de vista dos interesses do Brasil.

Por outro lado, a mesa da economia brasileira, que estava no chão, eu ajudei a erguer. Todo mundo que me conhece sabe que eu não vou virar a mesa coisa nenhuma.

MÍRIAM LEITÃO: Mas a dúvida é exatamente esta.

Quando o senhor fala que foi um erro do BC, se por acaso o senhor for presidente …

SERRA: Espera um pouquinho.

MÍRIAM: Deixa eu completar a minha pergunta.

SERRA: Espera um pouquinho. O Banco Central não é a Santa Sé. Você acha isso, sinceramente, que o Banco Central nunca erra? Tenha paciência.

MÍRIAM: Governador, deixa eu fazer a minha pergunta.

SERRA: Agora, quem acha que o Banco Central erra é contra dar condições de autonomia e trabalho ao Banco Central? Claro que não. Agora, de repente, monta-se um grupo que é acima do bem e do mal, que é o dono da verdade… e qualquer criticazinha já vem algum jornalista, já vem o outro, e ficam nervosinhos por causa disso. Não é assim. Eu conheço economia, sou responsável, fundamento todas as coisas que penso a esse respeito. E, a esse propósito, você e o pessoal do sistema financeiro podem ficar absolutamente tranquilos que não vai ter nenhuma virada de mesa.

MÍRIAM: Governador, deixa eu fazer a minha pergunta que eu não consegui completar. A questão não é se o BC é infalível; ninguém é. Mas se o senhor, quando se deparar com um erro do BC, caso seja presidente, ficará apenas com sua opinião ou vai interferir. A questão não é a taxa de juros.

SERRA: Imagina, Míriam, o que é isso? Mas que bobagem. O que você está dizendo, você vai me perdoar, é uma grande bobagem. Você vê o BC errando e fala: Não, eu não posso falar porque são sacerdotes. Eles têm algum talento, alguma coisa divina, mesmo sem terem sido eleitos, alguma coisa divina, alguma coisa secreta tal que você não pode nem falar: Ó, pessoal, vocês estão errados. Tenha paciência." (Fonte: Míriam Leitão)


Mais do que uma crítica contra a Míriam, o Serra atacou toda uma casta de "analistas econômicos", que de analistas não têm nada, pois apenas repetem dogmas estabelecidos pelo mercado financeiro, sem qualquer reflexão.

E pensar que durantes muitos anos "analistas" como a Míriam foram responsáveis por (de)formar a opinião da elite econômica do Brasil.

Mas as máscaras estão caindo...

2010-05-09

Diálogo com os Donos do Poder

"Muitos vão achar loucura, mas quem entrou em campo para “abafar” o fogo e diminuir a quentura em relação à sucessão presidencial foi o próprio presidente da República, ao lado de seu fiel comunicólogo Franklin Martins.

Isso talvez explique os encontros reservados que a candidata Dilma Rousseff teve com o diretor de redação dA Folha de S. Paulo, Otávio Frias Filho, o Otavinho, e com Roberto Civita, presidente do Conselho Editoral da Abril e editor sênior do grupo, no mês passado. Há quem diga que os Marinho também já teriam acenado com a possibilidade de um encontro secreto com a candidata do governo, costura que teria sido feita pelo próprio presidente, na comemoração de 10 anos do jornal Valor Econômico.

O que nos ajuda a entender, portanto, a guinada repentina ao centro dos jornais impressos e o abrandamento das agressões gratuítas que a candidata situacionista vinha sofrendo das “penas de aluguel”. Ao mesmo tempo, curiosamente, o candidato da oposição passou a ser visto amistosamente, ao lado de sua adversária. Os donos do poder decretaram que a transição, se houver, será lenta e gradual, sem rupturas. Amparada por uma espécie de anistia ampla, geral e irrestrita. Dilma está na dela, cumprindo o protocolo e ouvindo disciplinadamente os conselhos do padrinho, que acha que na base da boa conversa fatura mais essa.

Ao mesmo tempo, para se manter no jogo, Serra veste o figurino de bom moço, do “paz e amor”. Tenta emplacar com os indecisos a idéia de que é uma consequência natural no processo democrático. Um esforço que incluiria, inclusive, o convite para governar com a oposição e a manutenção em postos-chave de nomes consagrados, entre eles: Celso Amorim (chanceler), Henrique Meirelles (Banco Central), José Sérgio Gabrielli (Petrobras) e Luciano Coutinho (BNDES), entre outros.

Muitos incautos podem até mergulhar no mar ao ouvir este doce canto de sereia… Mas o fato é que os donos do poder (sempre pragmáticos) descobriram que a agenda neocon não cola mais. Ninguém quer Estado mínimo, verdísmo subjetivo e fanatismo religioso. E como o dinheiro não tem ideologia…" (Fonte: DoLadoDeLá)

2010-05-03

Mais um "entrevistado" desmente a Veja

Depois do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, mais um dos "entrevistados" da revista desmente a citação publicada.

Dessa vez é o Mércio Pereira Gomes, também antropólogo, professor da Universidade Federal Fluminense e ex-presidente da Funai:

"Apresento aqui o meu repúdio a esse tipo de jornalismo.

Denego-lhe o falso direito jornalístico de atribuir a mim uma frase impronunciada e um sentido desvirtuante daquilo que penso sobre a questão indígena brasileira.

Portanto, conclamo os editores da VEJA a rever sua visão miópica e estigmatizada do processo histórico brasileiro. Fariam bem ao seus leitores se se concentrassem na busca de objetividade jornalística e numa compreensão humanista, científica e hiperdialética da história do nosso país." (Fonte: )


Se você ainda assina esta revista, não considera que está na hora de cancelar?

Leituras da Veja: A reserva de mentiras

"A revista Veja destacou três repórteres para aquilo que deveria ser uma reportagem definitiva sobre a suposta ameaça de o Brasil ter seu território produtivo amputado por milhares de reservas de proteção ambiental e destinadas a grupos étnicos específicos.

A publicação que mais vende no país chega a afirmar que "áreas de preservação ecológica, reservas indígenas e supostos antigos quilombos abarcam, hoje, 77,6% da extensão do Brasil".

Segundo a revista, se a conta incluir ainda as cidades, os assentamentos para reforma agrária, os portos, as estradas e outras obras de infraestrutura, o total do território proibido para "atividades produtivas" chegaria a 90,6% e os brasileiros do futuro teriam que se contentar em produzir numa área do tamanho de São Paulo e Minas Gerais.

Tamanho nonsense, enunciado no início da reportagem, deveria bastar para afastar qualquer leitor com algum sentido de realidade. Mas Veja parece ter definitivamente aderido a alguma seita movida a alucinógenos pesados. E viaja no preconceito" (Fonte: Observatório da Imprensa)


A Veja é tão descarada que chegou a atribui uma frase a um antropólogo que nem ao menos chegou a entrevistar.

Veja a resposta do antropólogo -- publicada no blog do Nassif, pois a Veja jamais daria espaço para o contraditório:

"Ao Editores da revista Veja:

Na matéria “A farra da antropologia oportunista” (Veja ano 43 nº 18, de 05/05/2010), seus autores colocam em minha boca a seguinte afirmação: “Não basta dizer que é índio para se transformar em um deles. Só é índio quem nasce, cresce e vive num ambiente cultural original” .

Gostaria de saber quando e a quem eu disse isso, uma vez que (1) nunca tive qualquer espécie de contato com os responsáveis pela matéria; (2) não pronunciei em qualquer ocasião, ou publiquei em qualquer veículo, reflexão tão grotesca, no conteúdo como na forma. Na verdade, a frase a mim mentirosamente atribuída contradiz o espírito de todas declarações que já tive ocasião de fazer sobre o tema. Assim sendo, cabe perguntar o que mais existiria de “montado” ou de simplesmente inventado na matéria. A qual, se me permitem a opinião, achei repugnante.

Grato pela atenção,

Eduardo Viveiros de Castro

Antropólogo – UFRJ"


Incrivelmente, tem gente que ainda paga por esse lixo.