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2009-03-11

Jarbas e VEJA se desmentem

"Terra Magazine: Jarbas nega ter acusado PMDB de espioná-lo

O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) negou em discurso nesta terça-feira ter dito que foi espionado a pedido de colegas de partido. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), encaminhou ontem à Procuradoria-geral da República e ao Ministério da Justiça solicitação de investigação da denúncia da suposta espionagem a Jarbas. As informações são da Agência Senado.

“Vossa Excelência procura, não sei com que objetivo, distorcer a matéria da Veja, e por consequência, minhas declarações ao afirmar que denunciei uma investigação contratada por integrantes do PMDB. Não fiz em momento algum essa declaração, não citei o partido, sua direção ou qualquer de seus integrantes, apesar de haver sido ameaçado publicamente por vários deles. Só acusaria alguém se possuísse provas”, disse Jarbas."


Aqui está a matéria (ou factóide?) da VEJA:



Normalmente os desmentidos vêm das vítimas de VEJA; desta vez, veio do cúmplice.

2009-03-06

O jogo midiático dos escândalos seletivos

No blog do Nassif:

"Vamos entender melhor esse jogo político e o papel da mídia nesse processo.

Ontem a Globonews e a UOL transmitiram na íntegra e ao vivo, o discurso do senador Jarbas Vasconcellos. Aqui, publiquei um artigo em que um desafeto do senador o acusa das mesmas práticas que ele imputa aos adversários. Bastaria a mudança de ênfase - os jornalões darem mais ênfase ao acusador do que a Jarbas - para o pêndulo político se mover para o outro lado.

Os atacados por Jarbas são figuras notórias.

Neste momento, graças à sua rede de relações políticas e jurídicas, o senador José Sarney está conseguindo afastar do cargo um adversário, o governador Jackson Lago, do Maranhão, que o venceu democraticamente nas urnas.

Quando começou essa onda contra Lago, escrevi alguns comentários no blog, ele me procurou, contou o que estava acontecendo, as ligações da desembargadora que o condenava com o esquema Sarney. Publiquei aqui. Nenhum jornalão deu nada, porque não interessava naquele momento.

Se se escarafunchar a vida política do Renan Calheiros, mesmo sem os factóides da Veja, vai se encontrar um jogo semelhante. Em várias capitais em que vou palestrar, muitas vezes me convidam para entrevistas na TV local. Quase sempre há como sócio oculto políticos, alguns que se notabilizaram por campanhas moralistas relevantes.

O que se conclui disso? Tem-se um sistema político podre, que permite toda sorte de irregularidades dos seus participantes.

Um país civilizado, com imprensa moderna, estaria focado na discussão de como aprimorar o sistema político. Mas aos jornalões não interessa porque eles são os maiores beneficiários desses vícios. São esses vícios que os tornam poderosos, que lhes permitem utilizar o escândalo como moeda de troca. Dependendo de seus interesses comerciais e/ou de suas alianças políticas, definem o que será notícia, qual será a denúncia da vez.


Como selecionar as denúncias

Um discurso moralista do Jarbas – com seu passado de político tradicional – seria notícia? No máximo um pirulito em uma página de jornal. Mas confere-se solenidade, destaque e um episódio banal – porque uma denúncia sem fatos, seletiva (porque apontando só os adversários dentro do partido), de um político tradicional – torna-se fato jornalístico.

O poder de manipulação da mídia consiste em sua capacidade de escolher o escândalo. Poderia ter escolhido o de Jarbas contra os adversários do PMDB (poupando os aliados que são da mesma estirpe) ou desse obscuro deputado pernambucano que denuncia Jarbas. O poder de criar o escândalo fica nas mãos da mídia. (...)

Quando a Abril explode uma denúncia contra um político, ou quando o enaltece na capa – como aquela capa sobre os melhores governadores do país –, ou quando lhe dá a entrevista de Páginas Amarelas, qual o jogo de troca por trás disso? A defesa dos valores da ética? Conta outra.

Os virtuosos

Então, quando se assiste a essa pantomima toda, o que pensar? Renan e Sarney são virtuosos? Longe disso, mas bota longe nisso. O lado serrista do PMBD é virtuoso? Temer, Quércia? Não preciso responder. O lado peemedebista do FHC era virtuoso? Ora, são os mesmíssimos que garantem o apoio do PMDB a Lula. (...)

Jarbas é melhor do que Renan ou Sarney? Quércia é melhor do que Geddel? Temer é melhor do que Padilha? São todos farinha do mesmo saco.

É por isso - conforme reconheceu Fernando Henrique Cardoso no seu artigo de domingo do Estadão - que essa pantomima não funciona mais. Aliás, só a contaminação fatal do jornalismo pelos interesses políticos mais obscuros explica essa marcha da insensatez da mídia, em insistir nessas manipulações." (Fonte:Blog do Nassif)

2009-03-05

Marajarbas

O novo queridinho da VEJA é o senador Jarbas Vasconcelos, em cujas "denúncias" não apontou crime, autor nem circunstâncias. Se o jogo de Jarbas fosse sério teria feito isso - e teria elementos para tanto.

"Os senhores sabem que o bravo Deputado do PMDB, Ulysses Guimarães, ajudou a aprovar aqui, em 1988, a Constituição Cidadã. E a Constituição diz, em seu art. 37, Inciso II, que emprego público, só pode existir por concurso.

Pois bem, de forma esdrúxula — e está aqui o documento, porque eu não sou leviano. Eu acuso e mostro as provas — , o Senador Jarbas, no dia 23 de julho de 1992 — portanto, 4 anos após a Constituição determinar que emprego público, só por ser por meio de concurso — foi nomeado Procurador da Assembleia Legislativa de Pernambuco. E pasmem, brasileiros, pasmem, jovens do Brasil: um ano depois,ele pediu a aposentadoria, no dia 14 de julho de 1993. Está aqui o documento, que eu vou entregar à imprensa. (Exibe documentos.)

Pois bem. O último salário do marajá — e lá em Pernambuco já estão começando a chamá-lo de Marajarbas — , o último salário do marajá, agora em janeiro de 2009, foi de R$ 17.364,00. Eu não mostro o seu contracheque porque quem vai mostrá-lo é ele, porque esse dinheiro é depositado em conta bancária.

Eu quero saber qual é a moral, qual é a ética, que um parasita do poder, um homem que vive há 40 anos do dinheiro público, tem para criticar o Bolsa Família.

Muito bem, vamos aos fatos e aos documentos. O Senador Jarbas disse que a corrupção no PMDB começou em 1994. Vou ajudar o Senador, porque ele cometeu um lapso de memória. A corrupção no PMDB não começou em 1994, não, começou em 1993, e com ele! Foi lá em Pernambuco que começou a corrupção do PMDB, em 1993. A primeira CPI do caixa 2 no
Brasil ocorreu em Pernambuco.

A história, Srs. Deputados, é que a tesoureira de uma construtora denunciou Jarbas, dizendo que ele tinha recebido propina. Na linguagem do povo, tinha recebido toco. E ela provou.

Essa denúncia foi motivo de uma CPI na Câmara de Vereadores — eu era Vereador — , mas todos já sabem como ela terminou. Ele tinha maioria absoluta. Eu tenho certeza de que se essa CPI tivesse acontecido na Câmara ou no Senado, se ele fosse Deputado Federal ou Senador, ele teria sido cassado.

Vou mostrar aqui o documento. Ele acusa Lula, acusa Dilma Rousseff, acusa todo o mundo de corrupto. Só ele é ético no Brasil. Aqui ninguém presta. Na linguagem dele, pelo menos 90% não presta. Eu vou provar agora que ele não está entre os 10% não, mas entre os 90%, e desde 1993.

Eu grifei, num documento da construtora que estava na CPI, o nome J.Vaz. Eu quero perguntar se J.Vaz é Lula ou é Dilma Rousseff? Se analisarmos etimologicamente J.Vaz, o que é isso? Mas há outros documentos com J.Vaz e um outro com J.B.Vaz. Será que J.B.Vaz é Obama? Se esses documentos tivessem chegado aqui, se a CPI fosse aqui, ele teria sido cassado. Mas foi lá em Pernambuco.

Meus amigos, Deputados, o Senador Jarbas Vasconcelos é useiro e vezeiro em agredir as pessoas. Tenho aqui uma fita que comprova isso. Ele destruiu a carreira política, atingiu a honra de um bravo Deputado de Pernambuco, Deputado Sérgio Murilo. Desculpe-me Dr. Sérgio, sei que V.Exa. não tem condições de saúde para me ouvir, mas falo em homenagem ao senhor. O Senador Jarbas Vasconcelos destruiu Deputado Ciro Gomes e a carreira política do bravo combatente da ditadura Sérgio Murilo.

O Senador é useiro e vezeiro, repito, em atacar a honra das pessoas. Mas ele é frouxo, porque se tivesse coragem, na entrevista à Veja, deveria ter dito: os corruptos são esses e a corrupção é essa. Domingo, no Fantástico, foi ao ar uma reportagem de crianças brasileiras que passam fome e recebem o Bolsa Família. Infelizmente, neste País, há mais de 30 milhões de crianças que precisam daqueles míseros 80 reais do Bolsa Família. Crianças que não tiveram o privilégio de ter um pai marajá, que não tiveram o privilégio de ter um pai que fez um cambalacho — porque isso aqui é um cambalacho! — ,
para se tornar um marajá do poder público.

Eu quero perguntar que PMDB é esse que tem 90% de seu quadro acusado de corrupção e, no lugar de dar uma resposta ao Brasil, de ter vergonha na cara e de se dar ao respeito, propõe a criação de uma CPI para investigar fundos de pensão, deixando muito claro para a opinião pública que o PMDB só quer esta CPI, porque não conseguiu os cargos no
Fundo Real Grandeza, que era o que realmente queria."